PRIMEIRAS IMPRESSÕES: TZOMPANTLI - Beating the Drums of Ancestral Force (2024)
28/06/2024 12:24 em Resenhas

TZOMPANTLI  - Beating the Drums of Ancestral Force

(20 Buck Spin)

 

 

PRIMEIRAS IMPRESSÕES

TZOMPANTLI, uma amalgama de músicos liderada por Brian Ortiz, também conhecido como Bigg o))), mergulha profundamente nas sombrias tradições do México pré-hispânico com seu mais recente álbum, "Beating The Drums Of Ancestral Force". O próprio nome da banda, uma referência aos "racks de crânios" usados pelos astecas, define o tom para um álbum que mistura death e doom metal com reverência histórica, criando uma experiência visceral que é tanto sobre o peso da história quanto sobre o assalto sonoro.

Desde a faixa de abertura, "Tetzahuitl", os ouvintes são lançados em uma poderosa viagem que mistura o poder bruto do death/sludge metal com os ecos antigos do ritual asteca. A habilidade de Ortiz em mesclar a intensidade de bandas como INDIAN ou EYEHATEGOD com o death metal old-school cria uma abertura formidável. A faixa é sublinhada por cantos tribais e percussão étnica, imergindo imediatamente o ouvinte em uma ambientação histórica e cultural que é tão pesada quanto evocativa.

A configuração com três guitarras, embora nem sempre utilizada simultaneamente, confere à música uma textura rica que alterna entre riffs intensos de death metal e as ameaçadoras cadências do funeral doom em "Tlayohualli". As seções de meio-tempo da faixa e a atmosfera sombria não são apenas para efeito; elas servem para estremecer a alma do ouvinte, evocando imagens de guerreiros antigos e suas batalhas tumultuadas.

"Tlaloc Icuic" se destaca como uma invocação xamânica, com seus vocais em estilo de canto e percussão atmosférica criando uma aura de misticismo. Esta faixa exemplifica a habilidade da banda em integrar guitarras ultra-pesadas em uma estrutura que parece tanto antiga quanto eterna. A transição do etéreo para o brutal é perfeita, tornando a descida para a brutalidade esmagadora de "Chichimecatl" ainda mais impactante. Os vocais de Ortiz aqui são particularmente notáveis; sua profundidade e dureza fornecendo a base para as batidas arrastadas e as passagens de funeral doom melancólicas.

"Tetzaviztli" diminui o ritmo, mas não a intensidade, com tambores em camadas e texturas ambientes que nunca parecem forçadas ou artificiais. A banda não adiciona simplesmente elementos indígenas à sua música; eles os incorporam, fazendo com que seu som seja uma extensão orgânica de suas influências culturais. Esta autenticidade é ainda mais destacada em "Otlica Mictlan", onde, mesmo sem os blast beats e os riffs contínuos, o puro poder do trabalho de guitarra parece capaz de mover montanhas.

A faixa de encerramento do álbum, "Icnocuicatl", oferece um final apropriado para esta jornada. Sua mistura de lamento distorcido e motivos melódicos relembra as lendas do sludge/doom como GRIEF, mas com um toque único que é inconfundivelmente TZOMPANTLI. A duração de nove minutos da faixa permite um crescimento lento que aumenta em intensidade, incorporando seções limpas e solos melódicos que contrastam lindamente com a pesada sonoridade ao redor.

Além da música, a TZOMPANTLI se destaca também pela sua formação, que reúne nomes importantes da cena underground do metal do sul da Califórnia. Entre seus integrantes estão Erol Ulug (bateria – TEETH), Alejandro Aranda (Vocais e percussão – ADVERSIUM), ED (baixo), Justin Ton (guitarras – DEAD HEAT), JM SANCHEZ (guitarras), MB (guitarras), Jason Brunes (percussão – XIBALBA), Lord Foul (percussão – CIVEROUS), Justin Moore (percussão – TEETH), além de Brian Ortiz (vocais, guitarras e percussão – MORTUARY PUNISHMENT & XIBALBA), que contribuem para o som poderoso e autêntico do grupo. A produção do álbum, com uma abordagem crua e cavernosa, assegura que todos os elementos, desde os vocais guturais até a instrumentação étnica, tenham o destaque merecido. A mixagem, fundamental para o sucesso do álbum, equilibra as camadas densas de som de forma que cada detalhe permaneça claro e impactante.

A arte do álbum, uma das mais incríveis deste ano, retrata uma cena de ritual e sacrifício, complementando perfeitamente a música. Ela serve como uma representação visual dos temas explorados no interior, reforçando a conexão entre o som da banda e seu patrimônio cultural. Grande trabalho de Adam Burke, também responsável por belíssimos trabalhos para ANGEL WITCH, GRIFFON, HOODED MENACE e muito mais.

 

 

 

VEREDITO

"Beating The Drums Of Ancestral Force" é uma realização monumental para a TZOMPANTLI. Transcende a mera música, tornando-se uma jornada espiritual e histórica que envolve o ouvinte em múltiplos níveis.

A habilidade da banda em misturar o peso esmagador do death/doom com o poder evocativo da história pré-hispânica cria um álbum que é ao mesmo tempo único e profundamente impactante.

Cada faixa é um testemunho da habilidade e visão da banda, oferecendo uma rica experiência sonora que convida a audições repetidas.

Em um gênero que muitas vezes pode parecer repetitivo, a banda se destaca como um farol de inovação e autenticidade, fazendo de sua música algo tão pesado quanto as forças ancestrais que eles canalizam.

Infelizmente este disco passará despercebido por causa da mesmice de lançamentos genéricos que atualmente temos dado atenção.

(Daniel Aghehost)

 

8.5/10

 

 

TRACK LIST

1. Tetzahuitl

2. Tlayohualli

3. Tlaloc Icuic

4. Chichimecatl

5. Tetzaviztli

6. Otlica Mictlan

7. Icnocuicatl

 

 

 

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