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PRIMEIRAS IMPRESSÕES: HUBRIS – Acts of Sedition( (2026)
Por Daniel Aghehost
Publicado em 27/07/2026 09:19
Resenhas

HUBRIS – Acts of Sedition

Estados Unidos | Black Metal

Independente | Clique aqui para adquirir

2026

 

FORMAÇÃO

Melkorpse - Vocals, Bass, Songwriting, Lyrics

Deragore - Vocals (additional), Drums, Songwriting, Lyrics

Hellskald - Vocals, Guitars, Songwriting, Lyrics

Lichfiend - Vocals, Guitars, Songwriting, Lyrics

 

PRIMEIRAS IMPRESSÕES 

Depois de quatro anos desde o último álbum completo, a HUBRIS retorna sem qualquer interesse em alterar o curso de sua sonoridade. “Acts of Sedition” não tenta ampliar os limites do Black Metal americano fnem apresentar novas combinações estéticas para um gênero que já experimentou praticamente tudo. O caminho escolhido pela banda de Buffalo é outro: reforçar fundamentos e executá-los com convicção.

E essa decisão funciona melhor do que poderia parecer.

Ao longo de pouco mais de cinquenta minutos, o grupo constrói um disco profundamente ancorado na segunda onda norueguesa, mas sem cair completamente na armadilha da reprodução automática. Há ecos claros de GORGOROTH (recente) e 1349 e dos trabalhos atuais da IMMORTAL, especialmente na forma como velocidade, riffs e agressividade ocupam o centro da experiência.

A abertura com “Call to Sedition” funciona quase como manifesto temático do álbum. As letras já apresentam o eixo central do trabalho: ruptura, revolta e destruição da ordem estabelecida, evocando imagens de guerra espiritual, libertação e violência ritualística. Musicalmente, porém, a faixa atua mais como preparação do que como ponto alto. O disco realmente ganha corpo em seguida.

“Lightless Lantern” é a faixa onde o álbum encontra sua primeira grande demonstração de força.

A bateria entra imediatamente em aceleração máxima e permanece sustentando um fluxo quase contínuo de blast beats enquanto guitarras construídas em riffs frios desenham algumas das melodias mais fortes do disco. O interessante aqui é que a banda evita transformar velocidade em ruído homogêneo. Existem pequenas aberturas onde riffs mais amplos surgem e impedem que a música se torne apenas uma corrida.

As letras acompanham essa agressividade sonora. A imagem da “lanterna sem luz” conduzindo aqueles que abandonaram a cegueira religiosa aparece repetidamente e reforça um discurso que atravessa o álbum inteiro: destruição da ordem divina como caminho para reconstrução.

A intensidade elevada é mantida em “Incantation of Death”, mas o foco muda ligeiramente. O andamento continua extremo, porém a faixa trabalha melhor suas mudanças internas e introduz momentos onde a sensação de caos coletivo das letras encontra equivalência musical. Entre pandemias, guerra, fome e colapso humano, a banda constrói talvez seu momento mais explicitamente apocalíptico.

Depois de duas faixas sustentadas principalmente por velocidade, a banda demonstra mais domínio de dinâmica em “Boill of Humanity” (surgindo como uma boa surpresa). Os riffs passam a trabalhar padrões mais circulares e pesados enquanto pequenas desacelerações ajudam a criar contraste. O resultado não diminui o impacto, apenas o torna mais eficaz.

A faixa-título é provavelmente o ponto em que o disco melhor sintetiza sua proposta. “Acts of Sedition” reúne praticamente tudo que apareceu até aqui: riffs rápidos, mudanças sutis de andamento, condução agressiva da bateria e um senso permanente de confronto graças aos brutais vocais. As letras abandonam qualquer simbolismo discreto e mergulham em imagens de execução, massacre e construção de impérios sobre ruínas. É também uma das faixas onde o trabalho vocal de Melkorpse encontra melhor equilíbrio entre ataque e inteligibilidade.

Já “Era of Hubris” merece destaque especial. Existe um trecho central particularmente forte onde a música abandona momentaneamente a aceleração constante e permite que os riffs assumam papel narrativo. Não chega a ser uma quebra completa, mas oferece um dos poucos momentos em que o disco parece respirar antes de voltar ao ataque. Sem dúvidas, a banda atinge o ápice de forma fácil e cativante. Um momento que agradará não só o fanático pelo black metal, mas todo entusiasta de sonoridades extremas.

“Pissed on Ambitions” surge como instrumental e representa uma escolha curiosa. A execução continua precisa, mas a ausência de vocais não altera significativamente a dinâmica do álbum, fazendo com que a faixa funcione mais como contemplação do que como contraste.

O encerramento com “The Great Division” e “Outer Space Satanic Torture: Hymn to Nuit in the Abyss” amplia a escala temática do disco.

A primeira transforma revolta em guerra aberta: quase uma escatologia de campo de batalha onde deus deixa de ser autoridade e se torna alvo. Já a segunda leva o álbum para um terreno inesperadamente cósmico, substituindo imagens de conquista por vazio, dissolução e entrega ao frio universal. Os teclados discretos e a construção mais espaçada ajudam a criar um final mais atmosférico sem abandonar completamente o peso.

A produção merece menção. Tudo soa claro sem perder agressividade. Guitarras, baixo e bateria ocupam espaço próprio e permitem que os riffs, principal arma da HUBRIS,  permaneçam inteligíveis durante praticamente todo o álbum.

Ainda assim, “Acts of Sedition” não escapa completamente de um problema recorrente.

A banda sustenta muito bem intensidade, mas nem sempre encontra variedade proporcional à duração. Algumas faixas poderiam encerrar um pouco antes e determinados momentos pedem mudanças mais ousadas de dinâmica para ampliar o impacto do conjunto. Estes problemas podem fazer com que “Acts of Sedition” seja mais um álbum perdido entre tantos álbuns que surgem diariamente.

 

FAIXAS QUE MERECEM ATENÇÃO

“Lightless Lantern”, “Boil of Humanity”, “Acts of Sedition” e “Era of Hubris”

 

8.0/10

 

(Daniel Aghehost)

 

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