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PRIMEIRAS IMPRESSÕES: CEREMONIAL WORSHIP – Between Sleep and Death (2026)
Por Daniel Aghehost
Publicado em 01/10/2026 11:57 • Atualizado 01/10/2026 12:02
Resenhas

CEREMONIAL WORSHIP – Between Sleep and Death

GRÉCIA | Black Metal

Eternal Death | 

2026

 

FORMAÇÃO

High Priest C.W - Guitars

The Whisperer of Night - Vocals

Petros P. - Bass

George K. - Drums

 

PRIMEIRAS IMPRESSÕES 

Desde seus primeiros movimentos, a cena grega desenvolveu uma linguagem própria, fundamentada em riffs circulares, andamento solene, atmosfera ritualística e melodias que pareciam carregar algo anterior ao próprio gênero. Em “Between Sleep and Death”, terceiro álbum da CEREMONIAL WORSHIP, essa herança permanece reconhecível, mas surge atravessada por uma agressividade mais cortante e pela inquietação abstrata que marcou a segunda geração do estilo no país.

Criada em 2016 como projeto individual de High Priest C.W., a CEREMONIAL WORSHIP chegou a 2026 reformulada como quarteto. O retorno de The Whisperer of Night aos vocais e a entrada de Petros P. no baixo e George K. na bateria conferiram maior presença física a uma música que, anteriormente, se apoiava sobretudo na visão de seu fundador. Lançado pela gravadora Eternal Death, “Between Sleep and Death” não utiliza essa formação ampliada para suavizar suas arestas. Ao contrário, a banda parece mais coesa justamente por soar mais hostil.

Com quase quatro minutos, a introdução combina teclados de caráter cósmico, ambientações ritualísticas e uma voz feminina hipnótica, que assume a condução cerimonial da faixa. Mais do que uma passagem instrumental, ela estabelece o ambiente necessário para a entrada de “Hate Spells”. Quando guitarras, bateria e vocais finalmente surgem de forma triunfal, a mudança de intensidade não rompe com o clima anterior: transforma a solenidade do rito em agressividade, preservando sob o impacto inicial a mesma tensão construída durante a abertura. A CEREMONIAL WORSHIP deixa clara, desde esse momento, sua principal estratégia composicional: riffs repetidos por longos períodos, pequenas alterações rítmicas e uma tensão que se acumula sem procurar necessariamente uma resolução melódica.

Em “Hate Spells”, as guitarras de High Priest C.W. alternam tremolos ásperos e desenhos mais cadenciados, enquanto a bateria sustenta uma pulsação marcial. A música não reproduz exatamente o ataque primitivo das conterrâneas ROTTING CHRIST, VARATHRON ou Necromantia, embora compartilhe com essas bandas o entendimento de que atmosfera e riff devem ser inseparáveis. A referência mais próxima está na geração posterior de nomes como KAWIR ou MACABRE OMEN, especialmente pela maneira como as melodias são mantidas em circulação até adquirirem um caráter hipnótico.

“Towards Nothingness” é um dos momentos em que essa fórmula apresenta melhores resultados. Há uma melancolia discreta sob a aspereza das guitarras, construída mais pela sucessão dos acordes do que por uma melodia destacada. A faixa mantém a crueza do disco, mas permite que as linhas ganhem maior profundidade, aproximando a solenidade grega de uma frieza ligada ao black metal escandinavo. O resultado não é uma simples justaposição de escolas: a banda encontra um território intermediário no qual o peso rítmico helênico convive com guitarras mais agudas e abrasivas.

Essa combinação se torna mais evidente em “Cursed Abominations”. O riff altamente inspirado e o andamento controlado recuperam parte do caráter subterrâneo do black metal grego dos anos 1990, enquanto a bateria evita que a composição se acomode completamente no médio andamento. George K. imprime força à gravação sem soterrar o restante do conjunto, e o baixo de Petros P., embora nem sempre claramente separado na mixagem, reforça a densidade dos trechos mais cadenciados. A seção rítmica não transforma a estrutura das músicas, mas confere peso e movimento ao círculo construído pelas guitarras.

The Whisperer of Night ocupa um papel importante nessa identidade. Seus vocais não têm a imponência litúrgica comum a parte do black metal contemporâneo nem procuram uma articulação excessivamente teatral. São gritos ásperos, desgastados e por vezes próximos da agressividade do antigo black/death sueco. A interpretação funciona como mais uma camada de textura, integrada às guitarras, em vez de conduzir as composições. Essa escolha reforça a sensação de um registro concebido como unidade, ainda que torne algumas passagens vocalmente pouco distintas entre si.

“Where the Shadow Awakes” tenta romper parcialmente esse estado de permanência. A bateria ganha maior mobilidade, os riffs se tornam mais incisivos e surgem mudanças que flertam com o thrash metal. Nem todas as transições soam completamente incorporadas ao vocabulário do disco, mas a faixa oferece uma variação necessária depois da sequência inicial. Esse movimento também evidencia uma questão recorrente em “Between Sleep and Death”: a CEREMONIAL WORSHIP apresenta boas ideias quando permite que os arranjos avancem, mas frequentemente prefere prolongar o efeito de um mesmo riff.

A repetição é tanto a principal qualidade quanto a limitação do álbum. Em “Esoteric Struggle” e “Shadows from Hell”, ela produz um estado quase meditativo, embora jamais sereno. As guitarras giram em torno de poucos motivos, enquanto a bateria altera a intensidade sem modificar radicalmente a direção das músicas. Para quem aceita a proposta ritualística, essa insistência será parte essencial da experiência. Para os que esperam maior desenvolvimento harmônico, mudanças de andamento ou clímax mais demarcados, a proximidade estrutural entre algumas faixas poderá provocar desgaste.

Com apenas 35 minutos, entretanto, o disco é suficientemente conciso para que essa limitação não comprometa sua força integral. “Pantheon of Suffering” concentra algumas de suas melhores características: riff memorável, andamento marcial, vocais abrasivos e uma melodia soturna que surge por baixo da massa sonora. A composição preserva a crueza, mas apresenta maior senso de direção, demonstrando que a banda funciona melhor quando o caráter hipnótico está associado a uma progressão perceptível.

“Tower of Endless Nights” encerra o trabalho sem recorrer a uma conclusão grandiosa. Curta e direta, a faixa retoma o vocabulário construído ao longo do álbum e termina mantendo a sensação de suspensão sugerida pelo título. Não existe libertação entre o sono e a morte, apenas a continuidade de um movimento circular que poderia recomeçar assim que o disco termina.

A produção acompanha essa proposta. As guitarras possuem uma granulação áspera, os vocais permanecem parcialmente fundidos ao conjunto e a bateria conserva uma presença seca e direta. O álbum soa antigo sem recorrer à precariedade artificial como certificado de autenticidade. Há definição suficiente para perceber o trabalho dos músicos, mas nenhuma tentativa de retirar da gravação sua sujeira natural. Essa escolha ajuda a diferenciar a banda de projetos que apenas reproduzem superficialmente a estética dos anos 1990.

“Between Sleep and Death” não procura reformular o black metal helênico nem disputar espaço com seus trabalhos fundamentais. Seu mérito está em compreender os mecanismos dessa tradição e reorganizá-los a partir de uma formação mais sólida e de uma abordagem menos melódica, mais inquieta e repetitiva. A CEREMONIAL WORSHIP ainda pode explorar maior variedade estrutural e tornar suas mudanças rítmicas mais orgânicas, mas apresenta um disco coerente, honesto em suas referências e suficientemente áspero para não transformar reverência em nostalgia decorativa.

 

FAIXAS QUE MERECEM ATENÇÃO

“Hate Spells”, “Towards Nothingness”, “Cursed Abominations” e “Pantheon of Suffering”

 

8.5/10

 

(Daniel Aghehost)

 

 

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