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PRIMEIRAS IMPRESSÕES: JUNGLE ROT – Cruel Face of War (2026)
Por Daniel Aghehost
Publicado em 16/07/2026 11:25
Resenhas

JUNGLE ROTCruel Face of War

Estados Unidos | Death Metal

Unique Leader Records | 

2026

 

FORMAÇÃO

 Dave Matrise - Vocals, Guitars

James Genenz - Bass

Geoff Bub - Guitars

Spenser Syphers - Drums

 

PRIMEIRAS IMPRESSÕES 

Ao longo de mais de três décadas de carreira, a JUNGLE ROT construiu uma identidade tão sólida que basta ouvir poucos segundos de "Cruel Face of War" para reconhecer imediatamente quem está executando aqueles riffs. O décimo segundo álbum do trio norte-americano não propõe rupturas nem mudanças de direção. Sua força está justamente na consistência com que continua explorando um death metal de forte influência noventista, sustentado por grooves marcantes, riffs diretos e uma execução precisa.

A abertura com "Apocalyptic Dawn" estabelece rapidamente esse caminho. Os riffs carregam a agressividade característica da banda, enquanto a seção rítmica imprime uma pulsação pesada que permanece presente durante praticamente todo o álbum.

Em seguida, a faixa-título reforça essa abordagem ao privilegiar andamentos cadenciados e refrães de forte impacto, demonstrando como a JUNGLE ROT continua encontrando diferentes formas de explorar estruturas relativamente simples sem perder eficiência.

Essa dinâmica aparece novamente em "Maniacal", construída sobre constantes alternâncias entre passagens mais contidas e explosões de violência, enquanto "Suffer in Silence" acelera o andamento e entrega alguns dos riffs mais agressivos do repertório. Já "When the Elders Rise" figura entre os pontos altos do disco. A participação de Dave Ingram (BENEDICTION) acrescenta ainda mais peso à composição e estabelece uma conexão natural com o death metal britânico dos anos 1990, sem que a personalidade da JUNGLE ROT seja colocada em segundo plano.

Boa parte da força de "Cruel Face of War" nasce da interação entre os músicos. James Genenz e Spenser Syphers constroem uma base rítmica sólida, capaz de sustentar tanto os momentos mais velozes quanto os grooves mais arrastados que sempre marcaram a sonoridade da banda. Sobre essa fundação, Geoff Bub e Dave Matrise desenvolvem riffs simples, mas extremamente eficazes, privilegiando impacto em vez de virtuosismo. A produção assinada por Dan Swanö reforça essa proposta ao encontrar um equilíbrio entre definição e aspereza, preservando o peso característico do grupo sem comprometer a clareza dos instrumentos.

O maior mérito de "Cruel Face of War" talvez esteja justamente em compreender que autenticidade não depende de reinvenção constante. A JUNGLE ROT conhece profundamente sua identidade e trabalha dentro dela com segurança, entregando um álbum coeso, pesado e consistente do início ao fim. Em um cenário onde muitas bandas procuram ampliar seus horizontes incorporando novas influências, o trio norte-americano reafirma que um bom riff, uma seção rítmica contundente e composições bem estruturadas continuam sendo argumentos mais do que suficientes para produzir um excelente disco de death metal. Uma pena que este disco ficará ali, na prateleira dos bons discos que são ignorados pela maioria dos metalheads.

 

FAIXAS QUE MERECEM ATENÇÃO

“Apocalyptic Dawn”, “Cruel Face Of War”, “Maniacal” e “When The Elders Rise”

 

9.0/10

 

(Daniel Aghehost)

 

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