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PRIMEIRAS IMPRESSÕES: PANOPTICON – Det Hjemsøkte Hjertet (2026)
Por Daniel Aghehost
Publicado em 02/06/2026 10:52
Resenhas

PANOPTICON – Det Hjemsøkte Hjertet

Estados Unidos | Atmosferic Black Metal

Nordvis Produktion | 

2026

 

FORMAÇÃO:

Austin Lunn

 

 

PRIMEIRAS IMPRESSÕES 

Austin Lunn chegou naquele estágio raro em que um novo disco da PANOPTICON já nasce cercado de expectativa. Não porque exista obrigação de superar o anterior, mas porque cada lançamento parece carregar algo muito pessoal. “Det Hjemsøkte Hjertet” tinha uma responsabilidade extra: encerrar a chamada Laurentian Trilogy. E o mais interessante é perceber que o álbum não tenta fazer isso através de grandiosidade ou de uma obra definitiva. Ele encerra esse caminho olhando para dentro.

A PANOPTICON continua fazendo aquilo que poucas bandas conseguem dentro do black metal atmosférico: transformar paisagens, memórias e sentimentos em música sem parecer calculada. Aqui não existe separação clara entre o agressivo e o contemplativo. Quando os blast beats entram, eles parecem nascer naturalmente da emoção construída antes. Quando o disco desacelera, nunca soa como pausa: soa como continuação.

“Woodland Caribou” já abre deixando claro que este não será um álbum imediato. A primeira metade trabalha quase como preparação emocional. Existe espaço, silêncio e observação antes que tudo finalmente desabe em riffs enormes e vocais carregados de sentimento. Quando a música explode, ela não busca impacto pelo volume, mas pela sensação de algo que ficou guardado por tempo demais e finalmente encontrou saída.

Depois vem “The Great Silence, Extinct”, provavelmente o momento em que Austin mais se aproxima daquela PANOPTICON feroz que tantos associam aos trabalhos anteriores. Só que mesmo nos momentos mais intensos existe cuidado nos detalhes. Os violinos aparecem sem chamar atenção para si mesmos. Os arranjos ampliam o sentimento da música em vez de tentar transformá-la em espetáculo. É uma faixa pesada, mas estranhamente elegante.

“Blood and Fur Upon the Melting Snow” entrega um dos pontos mais fortes do disco inteiro. Existe uma tensão muito bonita entre a aspereza crust, os vocais mais emocionais e as melodias que surgem quase como lampejos no meio do caos. Em alguns momentos a sensação é de acompanhar alguém tentando segurar algo que inevitavelmente está escapando das mãos. E talvez seja justamente essa vulnerabilidade que faz a música funcionar tão bem.

Já “A Culture of Wilderness” aprofunda ainda mais o lado contemplativo do álbum. Não é uma contemplação confortável. Existe perda aqui. Existe uma sensação constante de olhar para algo que continua existindo, mas que nunca mais será exatamente igual. Os instrumentos acústicos e os elementos folk aparecem como lembranças atravessando a neblina, nunca como decoração.

E talvez seja justamente aí que “Det Hjemsøkte Hjertet” mais acerta. O disco inteiro parece habitado por fantasmas, não no sentido sombrio ou teatral, mas como memórias que permanecem vivas mesmo depois que tudo mudou. Os momentos mais suaves carregam um peso silencioso. Os momentos extremos nunca soam como catarse completa. Tudo parece existir num espaço entre aceitar e continuar sentindo.

Austin Lunn continua demonstrando uma habilidade impressionante para escrever músicas longas sem transformá-las em exercícios de paciência. Os arranjos orquestrais, os violinos, os instrumentos acústicos e o black metal coexistem de maneira extremamente orgânica. Nada parece inserido para impressionar. Tudo parece existir porque precisava estar ali.

“Det Hjemsøkte Hjertet” talvez não seja o disco mais marcante da PANOPTICON e nem o mais explosivo da discografia. Mas é um dos mais maduros. Um álbum que cresce em silêncio, volta à cabeça sem aviso e permanece ali por dias. Como aquelas lembranças que você não tenta revisitar, mas que continuam aparecendo de tempos em tempos.

 

FAIXAS QUE MERECEM ATENÇÃO

“Woodland Caribou”, “The Great Silence, Extinct” e “Blood and Fur Upon the Melting Snow”

 

8.5/10

 

(Daniel Aghehost)



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