ETERNAL EVIL – Forever Feared
Suécia | Black Thrash Metal
Listenable Records | Clique aqui para adquirir
2026
FORMAÇÃO
Adrian Tobar = Vocals, Guitars
Tobias Lindström - Guitars
Adam Sjö - Bass
Felix Wahlund - Drums
PRIMEIRAS IMPRESSÕES
É inacreditável que alguém apaixonado por thrash metal ainda não conheça a ETERNAL EVIL. Acho estranho que as pessoas sucumbam facilmente aos designios dos algoritmos e se apeguem apenas às bandas clássicas ou àquelas que “investem” pela sua atenção.
Uma pena, pois “Forever Feared” não é um disco que vai adicionar novos elementos ao thrash metal. Pelo contrário, abraça sem pudor a tradição construída por nomes como KREATOR, SODOM e SLAYER, mas demonstra inteligência suficiente para entender que reverenciar o passado não significa abrir mão de identidade.
Já em seu início, com "The Darkened Sphere", a banda deixa claro que velocidade será apenas uma das ferramentas do seu arsenal. Os riffs chegam afiados, a bateria trabalha praticamente o tempo inteiro no limite e os vocais de Adrian Tobar transitam entre um timbre áspero e agressivo sem recorrer aos guturais ou excessos típicos daquela sonoridade típica que o black metal tinha no início dos anos 80. Existe uma energia quase ininterrupta atravessando o disco, mas ela nunca se transforma em uma sucessão indistinta de músicas rápidas. O grande mérito da ETERNAL EVIL está justamente em compreender quando desacelerar para que o próximo ataque seja ainda mais devastador.
Essa maturidade aparece diversas vezes ao longo do álbum. "A Soul To Cope" alterna passagens velozes e momentos de meio-tempo sem perder a tensão construída pelos riffs melódicos, enquanto a faixa-título surpreende ao apostar em um refrão extremamente memorável, talvez o momento mais acessível do disco, sem comprometer a agressividade que domina o restante da obra. É uma composição que demonstra confiança na própria escrita, mostrando que peso e melodias marcantes podem coexistir naturalmente.
Mas é nas guitarras que “Forever Feared” encontra sua maior força. Adrian Tobar e Tobias Lindström conduzem o álbum com uma coleção impressionante de riffs e harmonias que parecem dialogar constantemente entre o thrash alemão clássico, o peso cortante do black metal e uma inesperada influência da escola tradicional do heavy metal. Os solos aparecem sempre a serviço das músicas, longos quando precisam ser, técnicos sem se tornarem exibicionistas e carregados de melodias que permanecem na memória muito depois que o disco termina.
Faixas como "Eyes Of Wrath" e "Triumph Through Pain" representam perfeitamente essa abordagem. A primeira acelera ainda mais um álbum que parecia já estar em sua velocidade máxima, enquanto a segunda equilibra precisão cirúrgica, excelentes vocais e um trabalho de guitarras que transforma cada mudança de andamento em algo natural. Quando o ouvinte imagina que a ETERNAL EVIL seguirá apenas acumulando intensidade, "Stain Of Roses" surge quase como um respiro. A introdução orquestral, os trechos falados e a construção praticamente instrumental criam um contraste inesperado, provando que a banda entende a importância da dinâmica dentro de um álbum essencialmente agressivo.
Na reta final, "The Mountain's Gaze" merece destaque especial. O início contido quase engana o ouvinte antes de a música crescer gradualmente até desembocar em mais uma avalanche de riffs, harmonias e mudanças de ritmo. É talvez a faixa que melhor sintetiza o grande talento da banda na criação de músicas agressivas. O encerramento com "I Know, The Fire Burns Inside" funciona como uma celebração de tudo que ouvimos até aqui: velocidade, melodias sombrias, solos inspirados e uma execução técnica que jamais sacrifica o impacto.
A produção também merece elogios. O som possui uma secura proposital que remete às gravações clássicas do thrash europeu, preservando um caráter orgânico que combina perfeitamente com a proposta da banda. Cada instrumento encontra seu espaço sem que o álbum soe excessivamente polido ou artificial, permitindo que baixo, guitarras e bateria respirem dentro da mixagem.
Se existe alguma crítica, talvez esteja justamente na intensidade quase permanente do disco. Embora as pequenas variações de dinâmica funcionem muito bem, a banda raramente diminui o ritmo por tempo suficiente para construir contrastes ainda maiores. Não chega a comprometer a experiência, mas alguns momentos poderiam ganhar ainda mais força se a banda explorasse com um pouco mais de calma a excelente capacidade que demonstra para criar atmosferas antes de voltar a acelerar.
Ainda assim, “Forever Feared” representa um enorme passo à frente para a ETERNAL EVIL. O quarteto demonstra compreender profundamente a essência do thrash metal sem se limitar à simples reprodução de fórmulas consagradas. O resultado é um disco que combina velocidade, técnica, melodias marcantes e composições maduras, reafirmando que ainda existe muito espaço para produzir thrash de altíssimo nível sem recorrer apenas ao fator nostalgia. Para quem acredita que o gênero já disse tudo o que tinha para dizer, este álbum surge como uma resposta extremamente convincente. Uma pena que, como muitos discos excelentes hoje em dia, provavelmente poucos sortudos terão o prazer de bater cabeça alucinadamente ouvindo este trabalho.
FAIXAS QUE MERECEM ATENÇÃO
"The Darkened Sphere", "The Mountain's Gaze", "Eyes Of Wrath" e “Stain of Roses”
8.5/10
(Daniel Aghehost)