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PRIMEIRAS IMPRESSÕES: NEVGRAVD - Ascension (2026)
Por Daniel Aghehost
Publicado em 26/05/2026 10:08
Resenhas

NEDGRAVDAscension

Noruega | Death Metal 

Headsplit Records | Clique aqui para adquirir

2026

 

FORMAÇÃO:

T. K. Torbo - Bass, Vocals

O. K. Rostadmo - Drums

A. Rostadmo - Guitars

L. V. Nielsen - Guitars

 

PRIMEIRAS IMPRESSÕES

A Noruega pode até ter se tornado sinônimo de black metal nos anos 90, mas a NEDGRAVD parece muito mais interessada em ressuscitar o lado mais pútrido, maligno e subterrâneo do death metal extremo daquele período. E seu primeiro álbum, “Ascension”, é simplesmente devastador. O disco soa como uma demo amaldiçoada esquecida durante décadas em algum porão úmido, carregando aquela sensação constante de decomposição sonora que transforma tudo em algo profundamente desconfortável. É podre. É doente. É maldito. É desaconselhável para ouvidos sensíveis.

Existe uma sujeira extremamente bem construída atravessando o álbum inteiro, equilibrando perfeitamente brutalidade, caos e atmosfera sem transformar tudo em um borrão incompreensível. As comparações com a saudosa INFESTER são inevitáveis, principalmente pela combinação de riffs tortuosos, vocais monstruosos e aquele clima profundamente doentio. Mas a NEDGRAVD consegue adicionar personalidade suficiente para não soar apenas como reverência nostálgica.

Desde os primeiros segundos de “Qhurra (Storms of...)”, fica claro que a banda entende perfeitamente como trabalhar caos sem perder atmosfera. Os riffs parecem constantemente se contorcer entre violência absoluta e passagens mais lentas, quase ritualísticas, criando uma sensação permanente de ameaça subterrânea. Esta faixa praticamente funciona como uma cerimônia de invocação apocalíptica, misturando imagens de sacrifício, decadência ritualística e destruição absoluta em uma atmosfera sufocante que combina perfeitamente com os riffs caóticos e a brutalidade subterrânea da faixa. “Paragon of Impiety” exemplifica muito bem isso, alternando momentos de agressividade quase descontrolada com desacelerações sufocantes que tornam tudo ainda mais pesado. A faixa trabalha um horror quase lovecraftiano ao transformar mutilação, deformidade e corrupção da carne em algo profundamente desconfortável. A letra reforça perfeitamente aquela sensação de pesadelo biológico que atravessa toda a música.

Em alguns momentos, teclados discretos aparecem quase como sombras ao fundo (fazendo de “Sentiential Incantation” um dos destaques do álbum), ampliando a sensação de horror subterrâneo que domina “Ascension”. Estes teclados sombrios ajudam o disco a mergulhar ainda mais fundo em uma experiência quase alucinógena e espiritual, explorando transcendência, aprisionamento mental e descida infernal através de imagens extremamente vívidas e perturbadoras (o interlúdio “Ascension” é outro belo exemplo de como a banda evoca ambiências malignas de forma triunfal). E quando o ritmo desacelera, o disco fica ainda mais pesado, criando uma atmosfera sufocante difícil de ignorar, como um ritual ocultista acontecendo lentamente diante do ouvinte.

Outro grande destaque são os vocais de T. K. Torbo . O trabalho vocal presente em “Ascension” é absurdo. Entre guturais inumanos, gritos animalescos e frases que parecem emergir diretamente de um ritual demoníaco gravado em uma catacumba, o vocalista entrega uma das performances mais violentas e perturbadoras que apareceram no death metal recente.

“Black Blood Descension” reforça esse caráter maligno do álbum. A música parece constantemente à beira do colapso, mas sem jamais perder impacto ou direção, trazendo imagens de possessão, autodegradação ritualística e ascensão demoníaca de forma extremamente gráfica, reforçando o caráter profundamente maligno e perturbador de “Ascension”. E isso também passa muito pela produção, que merece enormes elogios. Tudo soa cru, enlameado e extremamente maligno, mas sem sacrificar o impacto dos instrumentos. Existe clareza suficiente para perceber o nível de detalhe presente nos riffs e na bateria, enquanto o álbum mantém aquela sensação de fita maldita encontrada no fundo de algum porão esquecido.

“Ascension” é exatamente o tipo de disco que lembra como o death metal extremo pode soar verdadeiramente perigoso quando executado com convicção. Como é maravilhoso ouvir um disco como este!

 

FAIXAS QUE MERECEM ATENÇÃO

“Sentiential Incantation”, “Paragon of Impiety” e “Black Blood Descension”

 

9.5/10

 

(Daniel Aghehost)

 

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