HOLLOW WOODS - Weep, Beloved Earth
(Hertoghe Lodge)
PRIMEIRAS IMPRESSÕES
Quando o black metal finlandês resolve mostrar as presas, não costuma pedir licença. A banda HOLLOW WOODS surge como um verdadeiro culto à essência mais primitiva e devastadora do black metal. Reunindo Vellu (Horse Latitudes, baixo), Late (Slave Hands, bateria), J.P (Hoc Est Bellum, guitarras), A. Terror (Caskets Open, guitarras) e o uivo visceral de Hail Conjurer (Hail Conjurer, vocais). Depois de dois full-lengths brutais (“Cold Winds Cleave the Earth”, de 2021 e “Like Twisted Bones of Fallen Giants” de 2024), o quinteto entrega agora um EP curto, direto e sem misericórdia: “Weep, Beloved Earth”, lançado digitalmente em 20 de março de 2026.
São apenas quatro faixas, pouco mais de 21 minutos. Tempo suficiente para lembrar por que o black metal finlandês ainda é uma das forças mais cruas e honestas do gênero.
A porrada começa com “Snowdrifts”. Sem introdução, sem firula. É um arregaço imediato. Os vocais de Hail Conjurer estão ainda mais graves, quase subterrâneos, criando uma atmosfera gelada e opressiva que já te joga dentro da nevasca sonora. O instrumental é reto, militar, sem grandes variações. Exatamente como o black metal antigo fazia. Riffs cortantes como lâminas de gelo, baixo trovejante e bateria que soa como marcha para o apocalipse. É maldade pura, sem maquiagem. Honra a essência bestial e verdadeiramente maligna do som finlandês.
“Spring of Perdition” mantém o mesmo espírito implacável. Aqui não há espaço para agradar ninguém. O clima é reto, quase hipnótico na sua repetição, e os vocais abissais parecem vir direto do fundo do inferno. Mesmo quando a banda baixa um pouco o ritmo para riffs mais cadenciados, a aspereza continua lá, dilacerando o que estiver pela frente. É ódio destilado, destruição sem concessões. Exatamente como o black metal deve ser: incômodo, sujo e viciante.
“Where the Trees of Iron Grow” é, para mim, o grande momento do EP. As vocalizações aqui atingem outro patamar. Passam do gutural tradicional para gritos de agonia pura e ódio catártico com uma intensidade que arrepia. Enquanto isso, as guitarras de J.P e A. Terror constroem camadas geladas que fazem a música crescer como uma floresta de ferro se erguendo do solo congelado. Late, na bateria, entrega mais uma vez uma performance absurda de precisão e fúria. O encerramento acústico é genial: depois de tanto caos, um momento de silêncio quase meditativo que mostra que o ódio também tem rosto melancólico.
“The Charred Crown of the Lost Age” fecha o disco de forma brilhante. O acústico da faixa anterior serve como ponte perfeita para esse contraponto melancólico. Aqui o fogo da destruição dá lugar à desolação que fica depois. É um respiro sombrio, quase folk, como se você estivesse ouvindo o vento uivar por entre árvores queimadas numa floresta gelada. Reflete a capa do EP com perfeição: uma tristeza pesada, um lamento para a Terra que chora. Um alívio amargo para almas atormentadas.
“Weep, Beloved Earth” é black metal sem invencionice, sem modismos, sem vontade de ser “moderno”. É sujo, áspero, doentio e brutal, exatamente como deve ser. A HOLLOW WOODS mantém a chama bestial do black metal finlandês acesa com honestidade rara. Em pouco mais de 21 minutos, o EP consegue ser intenso, variado dentro da sua simplicidade e profundamente marcante. É um post-scriptum poderoso ao último álbum e uma prova de que a banda merece muito mais atenção do que tem recebido.
EM POUCAS PALAVRAS:
DESTAQUES:
Em pouco mais de 21 minutos, a HOLLOW WOODS não dá sequer espaço para respiro. E talvez nem queira. Cada faixa aqui soa acima da média, sem exceções, formando um bloco coeso de intensidade rara. É um desfile de composições afiadas, onde nenhuma ideia parece descartável ou menor. O resultado é um EP que concentra, de forma quase sufocante, tudo que o black metal finlandês tem de mais visceral e inspirador. Um registro não apenas forte, mas consistentemente extraordinário do início ao fim.
PONTOS DE ATENÇÃO:
A única “crítica” real é a curta duração do EP. Quando o negócio está tão bom, a gente fica querendo mais. Quase uma heresia terminar tão rápido.
EXTRA-MÚSICA:
Lançado digitalmente em 20 de março de 2026, o EP também pode ser encontrado em formato físico diretamente no Bandcamp da banda. Para quem curte ter o disco em mãos, vale muito a pena: além de garantir o material, você ainda apoia diretamente uma banda que mantém o black metal vivo de forma honesta e sem concessões.
VALE A PENA?
Porra, vale demais. Se você sente falta do black metal cru, direto, gelado e cheio de ódio verdadeiro, aquele que a Finlândia faz como ninguém, “Weep, Beloved Earth” é obrigatório. Sem misturas, sem frescura. Somente essência maligna. Coloca na playlist, aumenta o volume e deixa a alma congelar. A Terra chora… e a HOLLOW WOODS a faz sangrar.
9.2/10
(Daniel Aghehost)
TRACK LIST
1. Snowdrifts
2. Spring of Perdition
3. Where the Trees of Iron Grow
4. The Charred Crown of the Lost Age