Segunda-feira, 30 de maio de 2016 às 20:10 em Resenhas
RESENHA: KAWIR - Father Sun Mother Moon

 

KAWIR - FATHER SUN MOTHER MOON

 

Nunca entendi como algumas bandas, por mais que possuam qualidade, sempre acabam "ofuscadas" por outras. Por mais que o cenário do Black Metal Grego seja prolífico, geralmente o associamos apenas a Rotting Christ, Varathron e Necromantia.

Não que as demais bandas não sejam conhecidas, mas parece que essas três estão muito além das demais.

Porém, basta que você procure só um pouco para conhecer outros grandes nomes daquele rico cenário. E um deles é a KAWIR.

Detentora de alguns clássicos do estilo, como "To Cavirs" (1997) e "Ophiolatreia" (2008), a banda sempre apostou em uma sonoridade que remete muito mais à cultura helênica que as supracitadas. 

E, seguindo essa linha, quatro anos depois de "Isotheos" finalmente temos um novo lançamento da KAWIR em mãos: "Father Sun Mother Moon" (em tradução literal).

"To the Sovereign Sun", a primeira faixa, apresenta o ouvinte a toda essa sonoridade grega da banda. A flauta inicial te transporta para uma viagem há milhares de anos atrás, viagem esta que durará todo o disco. Esta faixa contém também todos aqueles riffs cadenciados que já são marca da banda. E como são empolgantes! Quando já está cativado pelo som, lá pelo final aparecem os vocais limpos, que fazem toda uma diferença no contexto climático da faixa.

As coisas ficam melhores ainda em "Dionysus". Incrível como os caras conseguem resgatar todo aquele clima da Grécia antiga. Os riffs cairiam muito bem em qualquer disco da VARATHRON, por exemplo. Que faixa!

Diferente de outras bandas gregas, o KAWIR aposta em uma sonoridade muito mais cadenciada. Principalmente neste álbum, já que a banda resgatou muito do que fez em seus primeiros álbuns. Prova disso é a terceira faixa, "Hercules Enraged". Para o amante do Black Metal mais visceral, a coisa pode complicar aqui, já que esta faixa possui os mesmos andamentos das anteriores, podendo soar maçante. Agora, o amante do Black Metal mais cadenciado curtirá muito daqui por diante, pois o mergulho na mitologia grega será cada vez mais profundo.

"To Diouscuri", diminui um pouco o ritmo do play, facilmente ofuscada pela faixa seguinte: "To Mother Moon". São mais de 9 minutos de uma faixa inspirada, que conquista logo pelo seu riff inicial (e muito marcante) remetendo aos grandes clássicos da banda. Esta é uma faixa que, se for executada ao vivo, poderá garantir momentos inesquecíveis para os presentes. Esta faixa é tão especial para o disco que mais de sua metade baseia-se apenas no instrumental, ficando ainda maior com a entrada dos vocais, em sua segunda metade. 

Ao som de uma gaita-de-fole (???), tem início "Hail to the Three Shaped Goddess". Talvez uma das faixas mais agressivas do disco, surpreende muito com os backings limpos. Outra faixa perfeita para os palcos.

"The Taurian Artemis", a mais curta do disco (e olha que tem mais de 6 minutos!!), é também uma das mais legais! Ela tem todas as características típicas do Black Metal grego, porém mais direta que as anteriores. Resgata muito o que a KAWIR fez, por exemplo, em "Arai" (2005), talvez o disco mais "direto" da banda.

Um dos poucos pontos negativos do disco é a última faixa, "The Descent of Persephone". Não que a faixa seja ruim, muito pelo contrário. É um belo momento instrumental que aposta nos temas climáticos do álbum. Porém, são mais de 11 minutos de um instrumental desnecessário, já que as faixas anteriores representaram muito bem todo esse clima proposto. Acaba tornando-se cansativa demais, já que este é um álbum de longa duração.

"Father Sun Mother Moon" apenas confirma que a KAWIR é uma das maiores representantes do Black Metal grego. E olha que temos grandes representantes do Black Metal na terra de Sócrates.

 

(Por: Daniel Aghehost)

 

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