RESENHA: TEMPLE OF GNOSIS - De Secretis Naturae Alchymica (2016)
26/09/2016 - 21h06 em Resenhas

 

 

Temple of Gnosis - De Secretis Naturae Alchymica

 

Coitado daquele que nega a importância do underground em sua vida. Pobre de quem diz que não "tem tempo" de procurar novas bandas, enriquecendo seu repertório no mundo metálico.

Para essas pessoas, esta resenha termina aqui.

Agora, se você ainda se impressiona com o que o underground mundial pode produzir, convido-o a conhecer a TEMPLE OF GNOSIS, banda de Death / Doom Metal lá da Sérvia.

Sim... Da Sérvia!

Pense rápido e me diga: Quantas bandas da Sérvia você conhece?

Pois a TEMPLE OF GNOSIS acaba de lançar seu primeiro full-lenght, "De Secretis Naturae Alchymica" e posso dizer que raramente ouço algo tão original.

O disco abre com "Unto the Earth", que serve como uma introdução para a missa negra que se estenderá por aproximadamente 45 minutos. Portanto, um álbum recomendado para amantes do mundo negro.

Ritual iniciado, temos "Serpentium" e sua sonoridade remetendo aos primórdios do Doom Metal, onde as bandas apostavam em andamentos completamente arrastados (mas muuuuito arrastados mesmo), sem muitas invenções. Apenas um teclado que aparece por vez ou outra, criando um clima altamente sombrio para este disco. O diferencial aqui é a teatralização comandada por H.M.T. (também responsável por todos os instrumentos desde álbum). Muito mais funcional que o Papa Emeritus (Ghost B.C), por exemplo, ele te conduz por toda a temática apresentada pela banda. Realmente, um disco para poucos.

O clima sombrio segue em "Sol Katharsis", onde os teclados de início constroem uma sonoridade pouco ouvida atualmente. Apesar da linha clássica do doom metal presente aqui, não dá pra negar as influências do Ambient no som da TEMPLE OF GNOSIS. E talvez esse seja uma das principais características da banda: Saber como criar um clima condizente com sua temática (sua identidade), extrapolando os limites do Doom Metal, provando que o estilo consegue sim, ser diversificado mantendo sua essência.

"Tree of Life", toda decantada entre o fim de uma tempestade e o início de outra, talvez seja a faixa que mais aposta em uma sonoridade clássica do estilo, lembrando muito o que a norueguesa FUNERAL fez em seus primeiros discos. A diferença aqui é que a TEMPLE OF GNOSIS consegue impor seu clima ritualístico, mesmo sob forte influência. E preste muita, mas muita atenção no final desta música para entender bem a proposta da banda.

Quando poderia imaginar que haveria influência de BEHERIT em um álbum de Doom Metal? Pois essa influência existe na faixa "Discipuli H. Trismegistus". Em alguns momentos esta faixa poderia muito bem figurar em "Drawing Down the Moon", clássico dos finlandeses.

Para os fortes que até aqui chegaram, a banda os presenteará com um dos melhores momentos do álbum: a faixa "The Twelve Keys" é um primor! Os sinos iniciais o convidam para uma densa viagem pela escuridão. Flertando com o Funeral Doom Metal, a banda aqui testa sua sanidade visando selecionar muito bem seus ouvintes. Faixa perfeita para o término do ritual, já que "Absolutio" é aquele momento de conclusão desta brilhante e complexa obra.

Impossível não sentir certo orgulho do que o underground ainda pode produzir e nos surpreender. Principalmente vindo de uma banda da longínqua Sérvia.

Material não recomendado para os tradicionais metaleiros.

 

(Por: Daniel Aghehost)

 

 

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