RESENHA: ROTTING CHRIST - Rituals
20/07/2016 - 18h55 em Resenhas

 

 

Rotting Christ - Rituals

 

Vamos ser francos: Aquele ROTTING CHRIST de álbuns como "Passage to Arcturo" ou "Non Serviam" não existe mais. Muito menos a banda que lançou "A Dead Poem". Esqueça os erros e acertos do passado.

Hoje temos uma banda que vem apostando cada vez mais em uma sonoridade Helênica (e, por conseguinte, com forte influência oriental) e em álbuns medianos, alternando momentos brilhantes com músicas cansativas e repetitivas.

Três anos após o questionável "Kata Ton Daemonia Eatoy", eis que uma das maiores bandas do Metal Negro grego retorna com "Rituals"

Retratando rituais de várias partes do mundo, "Rituals" apresenta 10 faixas que surpreendem pela versatilidade e inspiração.

"In Nomine Dei Nostri" parece uma continuação natural para "Yumem-Xibalba (um dos grandes momentos do álbum anterior). Impossível não imaginar a banda abrindo seus shows com o coro tribal do ínicio desta faixa. Hipnotizante, abre o disco mantendo as expectativas lá em cima.

"Ze Nigmar", pesada e mais arrastada que a anterior, mantém o clima sombrio do disco. Que faixa!

"Eithe Kyrie", o primeiro single de "Rituals", conta com a participaçlão da atriz Danai Katsameni e é sem dúvidas uma das maiores faixas recentes da banda. As vocalizações femininas só engrandecem mais o instrumental inspiradíssimo (preste atenção no belo solo desta faixa). Se você gostou do que o ROTTING CHRIST fez com "Orders from the Dead" (cover de Diamanda Galas) em "AEALO", vai se emocionar com essa faixa. Impossível ouvir apenas uma vez!

Muito bom ouvir "Vorph" da SAMAEL fazendo algo voltado ao Metal Negro novamente como o feito na faixa seguinte, "Les Litanies de Satan". O instrumental denso aliado à sua narração para "As Flores do Mal" de Baudelaire mostra que Sakis Tolis (Guitarras e vocais), Themis Tolis (Bateria), Van Ace (Baixo) e George Emmanuel (Guitarras) realmente souberam como recriar rituais neste álbum. 

Apenas 4 faixas do disco se passaram e é notória a felicidade por ver que estamos diante de uma jóia que será apreciada verdadeiramente por poucos.

A tribal "Apage Satana" vem na sequência, mostrando como Themis vem se destacando na ROTTING CHRIST. Praticamente este é um ritual antigo, conduzido pelo exímio baterista. Causará angústia em mentes não acostumadas com o metal sombrio. Excelente.

"Tou Thanatou", a primeira cover do disco (uma cover para um som de Nikos Xylouris, renomado cantor de Creta) remete à sonoridade feita pela banda em discos como "Khronos" ou "Genesis". De levada mais cadenciada, lembra os grandes momentos destes discos citados. Bela roupagem (procure ouvir a original e comprove o que digo).

Se você já chegou até aqui encantado com o novo álbum dos gregos, pare o que estiver fazendo e preste muita atenção em "For a Voice Like Thunder". A climática narrativa de Nick Holmes (vocalista da Paradise Lost) apenas serve como excelente condução para uma das músicas mais bem construídas da banda. Impressionante como a ROTTING CHRIST ainda consegue produzir materiais tão inspirados, mesmo tendo quase 30 anos de existência!

Outras duas faixas inspiradíssimas fecham o álbum: "Devadevam" e sua levada extremamente soturna e o cover de um som da Aphrodite´s Child, "The Four Horsemen". Excelentes faixas para quem ouvir o disco até o final.

"Rituals" não é um clássico como "Thy Might Contract", mas figura com certeza entre os grandes lançamentos dos gregos.

 

(Daniel Aghehost)

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